Biografia José Antônio da Silva (Zé do Pontal)
Os Primeiros Anos e a Chegada à Pontal do Paraná:
José Antônio da Silva nasceu em 22 de novembro de 1949, em Criciúma, Santa Catarina. Sua jornada educacional começou em 1957, quando ingressou no ensino primário em Criciúma, no distrito de Içara. Aos doze anos, em 1963, o destino o levou a Foz do Iguaçu, onde fixou residência com sua mãe, Otília Gabriel da Silva, seu pai, Antônio Manuel da Silva, e seus dez irmãos. Ele concluiu seus estudos em Foz do Iguaçu em 1965, concluindo até a 8º Série
Em 1969, o jovem Zé do Pontal serviu à pátria no Exército, atuando no Batalhão das Três Fronteiras, na divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai.
A partir de 1970, Curitiba tornou-se seu local de trabalho, mas a semente de sua ligação com Pontal do Paraná já havia sido plantada. Ele dedicava cerca de quatro meses por ano à região durante as temporadas, retornando à capital nos demais períodos.
Foto de José Antonio da Silva e sua família.
A Consolidação da Família e dos Negócios em Pontal do Paraná
O espírito empreendedor de Zé do Pontal floresceu em Pontal do Paraná em 1972, com a abertura do Bar Ipê, um estabelecimento que operava durante a temporada. Foi por meio desse bar que ele ganhou o apelido de Zé do Ipê
Dois anos depois, em 1974, Zé do Pontal expandiu seus horizontes, inaugurando o Restaurante Dançante Ipacaraí. Foi durante esse período que Zé do Pontal demonstrou seu espírito comunitário: ele abrigava a Polícia Militar do Estado do Paraná e o corpo de bombeiros que vinham para o litoral durante a operação verão. Com o crescimento da região, Zé do Pontal também acolheu a primeira rodoviária da empresa Sulamericana, a única a oferecer um horário por dia, transportando passageiros para Paranaguá e Curitiba. Esse serviço de transporte impulsionou o turismo, ajudando a população a enxergar o litoral de Pontal do Paraná. Entre as idas e vindas de Curitiba para Pontal do Paraná, ele se apaixonou por Maria Inez Campos da Silva, nascida em 17 de agosto de 1957, uma autêntica nativa, filha de Santina dos Santos Campos e Leonidas João de Campos, pescadores e caiçaras, originária de Pontal do Sul.
O ano de 1976 foi um divisor de águas para Zé do Pontal. Em 31 de julho, ele e Maria Inez Campos da Silva uniram-se em matrimônio, marcando também uma união de propósitos com a família Campos, uma importante família de nativos da região. No mesmo ano, ele encerrou as atividades do Ipacaraí e deu início ao Mercado Pontalão em Pontal do Sul. Este empreendimento representou um marco, sendo o primeiro mercado na região a adotar o conceito "pegue e pague", um formato inovador para a época. Com o sucesso do novo negócio, José Antônio da Silva passou a ser conhecido como Zé do Pontalão, apelido que rapidamente se popularizou na comunidade.
Dessa união nasceram quatro filhos, que formaram o alicerce da família Antônio da Silva em Pontal do Paraná:
- Jaqueline Antonio da Silva, a primogênita.
- Janette Antonia da Silva
- Jackson Antonio da Silva
- Jean Antonio da Silva, o caçula.
O Contexto Comercial da Região Antes da Emancipação:

Foto do antigo prédio do Pontalão
Antes da emancipação de 1995, quando a região ainda era um distrito de Paranaguá, a paisagem comercial era delineada por quatro balneários principais, cada um com seu mercado local: Praia de Leste abrigava o Mercado Simas; Ipanema contava com o Mercado do Aroldo; e Shangrilá tinha o Supermercado Darli. Com a chegada do Mercado Pontalão de Zé do Pontal, a região de Pontal do Sul ganhou um estabelecimento com um formato diferenciado, que impulsionaria o desenvolvimento comercial local.
O Despertar Cívico e a Preparação para o Serviço Público
Antes de se aprofundar nas associações de moradores, Zé do Pontal já se destacava na comunidade por meio do esporte. Em 1982, assumiu a presidência do Esporte Clube Atlético de Pontal do Sul, um clube renomado em toda a região pela organização de eventos e torneios, e pelos excelentes resultados de seu time no litoral.

A partir de 1987, Zé do Pontal dedicou-se à comunidade através da Associação de Moradores e Amigos de Pontal do Sul (AMASUL) por quatro anos, demonstrando desde cedo seu compromisso com as necessidades locais. Em 1989, foi presidente da Comissão de Leigos da Igreja Católica de São Pedro em Pontal do Sul por dois anos. Por volta de 1980, o envolvimento de José Antônio da Silva com associações e a política se intensificou. Ele foi um dos principais fundadores e presidente por duas vezes da Associação do Comércio de Pontal do Sul e Ilha do Mel (ASCOPIM). Esse foi um momento crucial, marcando um crescimento expressivo em seu engajamento. Foi nesse período que surgiu a ideia de iniciar o movimento para a emancipação do município de Pontal do Paraná. Durante essa fase de intensa atuação, o jornalista Carlinhos Mora, amigo de Zé, o batizou de Zé do Pontal, um apelido que ecoaria por toda a história da emancipação. Em 1984, Zé do Pontal filiou-se ao PDT, assumindo a presidência do partido por seis anos. Além disso, foi presidente do Lions Club International por duas gestões. Zé do Pontal não chegou à prefeitura por acaso. Ele se preparou intensamente para realizar seu sonho de fazer a diferença no município, dedicando-se a diversas funções de liderança e aprimoramento pessoal:
- 1994: Concluiu o curso de Liderança e Comunicação.
- 1995: Concluiu o curso de Informática e Computação em Paranaguá, antecipando-se à era da informatização generalizada.
- 1996: Finalizou o curso de Oratória e Planejamento em Curitiba, e concluiu o curso de Programação Neurolinguística pela FGV, além do curso de Marketing Político e Eleitoral na Fundação Alberto Pasqualine.
Zé do Pontal continuou seu trabalho associativista, sendo um dos fundadores das associações dos balneários de Vila Nova, Barrancos, Shangrilá, Mangue Seco e Atami. ampliando ainda mais o alcance pró-emancipação
A Conquista da Emancipação de Pontal do Paraná e os Primeiros Anos da Gestão Municipal

O ano de 1992 marca o início efetivo do movimento das associações com o objetivo principal de dar andamento à emancipação do município. Entre 1993 e 1994, uma decisão judicial embargou o pedido de emancipação. No entanto, esse revés impulsionou a criação do Conselho das Associações, que reuniu 22 associações com suas respectivas diretorias, conferindo mais força ao movimento.
Somente após a organização do Conselho das Associações, em 20 de março de 1995, foi votado o plebiscito que instituiu a criação do município de Pontal do Paraná, e através da Lei Estadual nº 11.252/1995, sancionada em 20 de dezembro de 1995, desmembrando-o do efetivamente do município de Paranaguá, essa é a data que é comemorada oficialmente o aniversário do município. Essa conquista foi o resultado de um ideal compartilhado por Zé do Pontal, Carlinhos Mora, Luzmar,José Amilton, Dr. Hélio, Dr. Gimenez, Eurico, Pedrinho, Oswaldo, Fernando, Itamar, Neri e muitos outros. Eles lutavam por reconhecimento e dignidade em uma região que era conhecida apenas como "praias de Paranaguá", sofrendo com o abandono, a falta de infraestrutura básica como escolas, saúde, energia elétrica e água encanada. O desenvolvimento parecia chegar a outros lugares, mas ali, a população era esquecida.
Nas primeiras eleições do recém-emancipado município, em 1996, Zé do Pontal foi eleito como o primeiro Vice-Prefeito de Pontal do Paraná, compondo a chapa com o Dr. Hélio. Em 1997, Zé do Pontal e Dr. Hélio assumiram oficialmente como a primeira gestão executiva de Pontal do Paraná, foi nesse momento que a história do município iniciou, enfrentando o desafio de construir o município do zero. Entre 1998 e meados 1999, Zé do Pontal encarou a difícil tarefa de ser Secretário de Obras. Em uma região que carecia de desenvolvimento, planejamento e perspectiva, seu trabalho foi fundamental para iniciar a infraestrutura básica. Apesar das dificuldades, e a necessidade de conseguir maquinários do governo do estado para abertura e manutenção de ruas e até mesmo mesas para a primeira sede administrativa, Pontal do Paraná começou a ser vista para além de suas fronteiras. Com a formação política, o município iniciou negociações diretas com o governo estadual para obter recursos.
O Primeiro Prefeito do Novo Milênio: A Vitória do Povo e Legado

Na segunda eleição de Pontal do Paraná, realizada no ano 2000, Zé do Pontal concorreu ao cargo de Prefeito, tendo José Wigineski como seu vice. A disputa foi acirrada, com o atual prefeito Dr. Hélio buscando a reeleição, o Dr. Gimenez também concorrendo, além de outros candidatos e chapas menores. Apesar da pequena quantidade de eleitores e da dificuldade em levar as propostas a todas as regiões do município, a história, o engajamento social e a visão de Zé do Pontal o fizeram ganhar notoriedade e popularidade.
A filosofia de Zé do Pontal era clara: para ser prefeito em Pontal do Paraná "não precisava ser Médico, não precisava ser engenheiro, não precisava ser doutor". Em seus discursos, ele frequentemente afirmava que era preciso, sim, "saber a diferença entre o certo e o errado" e "ser honesto". Ele se apresentava como essa alternativa, alguém que compreendia as necessidades do povo e agia com integridade.
Zé do Pontal foi eleito o primeiro prefeito de Pontal do Paraná do segundo milênio. A gestão, que começou em 2001, foi marcada por intensa oposição, muitas vezes injusta e motivada pelo preconceito. A despeito dos desafios, o apoio popular durante a carreata da vitória foi tão grande que os apoiadores de Zé do Pontal transformaram as críticas em símbolo de orgulho, celebrando a vitória com entusiasmo.

Foto da diplomação do segundo corpo executivo de Pontal do Paraná
Obras e realizações como Prefeito de Pontal do Paraná
O período de 2001 a 2004 marcou a gestão de Zé do Pontal como prefeito. Apesar da dura oposição, ele conseguiu dar o pontapé inicial para o crescimento do município. Sua gestão foi pioneira em diversas frentes:
- Foi o primeiro gestor a sugerir, elaborar e entregar o primeiro Plano Diretor do município.
- Foi presidente da associação dos municípios turísticos do Paraná (Amutur), Onde vários eventos turísticos foram realizados em sua gestão
- Iniciou as primeiras conversas sobre o projeto de OAM (Orla Ambiental Marinha), em colaboração com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Paraná, a UFPR e o CEM Litoral. Esses foram os primeiros passos para a construção e preservação da orla marinha de Pontal do Paraná, que até hoje é reconhecida como uma das mais bem preservadas do país.
- Houve investimentos significativos em educação, com a construção e reforma de diversas unidades de ensino.
- Na área da saúde, seu maior projeto foi a construção da maternidade de Pontal do Paraná, que, infelizmente, foi interrompida pelas gestões posteriores.
- A gestão de Zé do Pontal também se destacou pela reestruturação e modernização da prefeitura, com avanços importantes na informatização de todos os sistemas.

Zé do Pontal decidiu não concorrer às eleições em 2004. Desde então, ele se dedica incessantemente aos seus comércios, à família e à vida cristã, que se tornou um dos temas centrais de sua jornada após sua conversão em 31 de março de 2003 e sendo consagrado como diácono em 30 de outubro de 2005,e até hoje sendo um frequentador assíduo da Assembleia de Deus de Pontal do Sul. No entanto, sua carreira política não ficou para trás; até os dias de hoje, ele atua diretamente como conselheiro estratégico em campanhas políticas, participando como mentor em todas as campanhas de Pontal do Paraná. Seu profundo conhecimento do município faz com que seja sempre procurado para orientação e conselhos.
O Legado Familiar e o Futuro dos Negócios

Os negócios da família, especialmente o Mercado Pontalão, ganharam um reforço em sua identidade, sendo hoje conhecido como O Pioneiro. Dentre os comércios da região, é o único que se manteve desde seus primórdios com a gestão familiar e a visão empreendedora de Zé do Pontal. O legado foi passado para seus filhos, que hoje fazem a gestão dos negócios da família. Todos eles prezam pela tradição familiar e também pelos serviços prestados à comunidade, mantendo vivo o espírito que Zé do Pontal imprimiu em cada um de seus empreendimentos.
A história de José Antônio da Silva, o Zé do Pontal, é um testemunho da força da comunidade e da importância da liderança na construção de um futuro melhor para uma região antes marginalizada. Sua trajetória de comerciante a líder político é inseparável da jornada que transformou um conjunto de praias esquecidas no município de Pontal do Paraná.
