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CICLOVIA DA DISCÓRDIA: Improviso, Bloqueios Seletivos e Falta de Planejamento Revoltam Moradores e Comerciantes em Pontal do Paraná

08/12/2025 10:13 4.967
CICLOVIA DA DISCÓRDIA: Improviso, Bloqueios Seletivos e Falta de Planejamento Revoltam Moradores e Comerciantes em Pontal do Paraná
Enquanto obras estaduais avançam, intervenções de responsabilidade exclusiva da Prefeitura Municipal são marcadas por qualidade duvidosa e decisões técnicas que desafiam a lógica e prejudicam a economia local.

Por Redação | Pontal do Paraná

O que deveria ser solução, virou problema. O que era para ser mobilidade, virou obstáculo. As recentes intervenções urbanas em Pontal do Paraná trouxeram à tona um debate urgente sobre a qualidade técnica e o planejamento estratégico das obras sob responsabilidade direta da gestão municipal. Enquanto a maioria das grandes melhorias no município vem sendo executada pelo Governo do Estado, as poucas obras tocadas exclusivamente pela Prefeitura chamam a atenção — infelizmente, pelos motivos errados.

O foco da polêmica atual é a extensão da ciclovia que liga Shangri-lá a Pontal do Sul. O projeto, aguardado há anos pela população (originalmente prometido como um acostamento de segurança), sofreu alterações que agora custam caro à funcionalidade da via.

Um Histórico de Erros

Não é a primeira vez que essa obra gera críticas. Na fase inicial, até a entrada do Atami Sul, a ciclovia já havia sido alvo de denúncias por ser excessivamente estreita. Relatos de usuários apontam que a via não comporta duas bicicletas com segurança (fluxo e contrafluxo), criando riscos desnecessários para os ciclistas.

Porém, na nova fase de ampliação até Pontal do Sul, a "criatividade" da engenharia municipal parece ter superado o bom senso. A ciclovia está sendo construída sobre áreas historicamente utilizadas como estacionamento de comércios na Avenida Beira Mar. Embora se trate de recuo público, a execução da obra está, na prática, inviabilizando o acesso de clientes e sufocando a atividade econômica local.

O Mistério das "Guias Altas": Critério Técnico ou Perseguição?

O ponto mais crítico e questionável desta empreitada ocorreu no último sábado, dia 06/12/2025. Nossa equipe de reportagem foi acionada por clientes e transeuntes perplexos com o que viam na Avenida Beira Mar.

Ao longo de mais de 6km de extensão da nova ciclovia, a obra segue um padrão. No entanto, em frente a apenas dois estabelecimentos específicos — o Material de Construção Construsul e o Mercado Mergulhão — a Prefeitura decidiu instalar guias de meio-fio do tipo alto.

A instalação dessas barreiras físicas impede quase totalmente a entrada de veículos nesses locais, prejudicando o abastecimento e o acesso dos consumidores. A pergunta que ecoa entre os moradores que presenciaram a cena é inevitável:

"Se a ciclovia passa pela frente de dezenas de comércios ao longo da rodovia, qual a justificativa técnica para instalar guias altas de bloqueio apenas nestes dois pontos? O que diferencia o Mercado Mergulhão e a Construsul dos demais para receberem tal tratamento?"

Sem uma resposta clara, abre-se margem para especulações sobre falta de isonomia ou perseguição direcionada.

A Voz das Ruas: Por que não descentralizar?

Motoristas e pedestres ouvidos pela nossa reportagem apontam o óbvio: falta planejamento viário. A insistência em manter a ciclovia colada à rodovia principal, onde o conflito com a entrada e saída de veículos é constante e perigoso, é vista como um erro estratégico.

"Por que não usar as ruas paralelas ou o entorno da orla?", questionou um morador local durante o levantamento. A sugestão da população é simples e lógica: desviar o fluxo de ciclistas para áreas mais cênicas e seguras, como a orla, ou ruas internas com menos tráfego, evitaria o estrangulamento do comércio na rodovia e proporcionaria um passeio mais seguro aos ciclistas.

O Questionamento Final

A população de Pontal do Paraná exige respostas imediatas da Prefeitura.

  1. Qual o embasamento técnico para a instalação de guias altas exclusivamente em frente a dois comércios específicos?

  2. Por que insistir em um traçado que prejudica a economia local e coloca ciclistas em rota de colisão com veículos em áreas de estacionamento?

  3. Haverá revisão do projeto para garantir que a mobilidade não signifique a falência do comércio local?

Com a palavra, a Prefeitura de Pontal do Paraná. Os contribuintes, motoristas, ciclistas e comerciantes aguardam — e a paciência está acabando.

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