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Moro acusa base governista de blindar 'Lulinha' em comissão que investiga fraudes no INSS

26/02/2026 16:49 96
Moro acusa base governista de blindar 'Lulinha' em comissão que investiga fraudes no INSS
Senador afirma que há delação em andamento implicando o filho do presidente Lula e critica a rejeição sistemática de pedidos de quebra de sigilo por aliados do governo.

O senador Sérgio Moro fez duras críticas à base governista na comissão que investiga um esquema de desvios contra aposentados e pensionistas do INSS. Em entrevista concedida ao Senado Notícias antes da sessão, o parlamentar acusou deputados aliados ao Palácio do Planalto de protegerem figuras centrais das investigações, destacando a atuação para evitar a convocação e a quebra de sigilo do filho do presidente da República, conhecido como Lulinha.

"A gente vê aqui uma postura da base do governo, liderada principalmente pelo Rogério Correia e pelo Paulo Pimenta, que está blindando alguns investigados", afirmou Moro.

O senador destacou que informações veiculadas na imprensa apontam para uma delação premiada em andamento envolvendo pessoas presas, incluindo o ex-procurador-chefe do INSS, Virgílio Oliveira. Segundo Moro, os relatos dessa delação implicariam diretamente o filho do presidente no esquema de fraudes.

Apesar dos indícios apontados pelo parlamentar, requerimentos que pediam a quebra de sigilo fiscal e bancário, além da convocação de Lulinha, foram derrubados na comissão. "Foi colocado em pauta e foi, no entanto, rejeitado por quem? Pelo governo", protestou o senador.

Moro cobrou diretamente os parlamentares que votaram contra os requerimentos, afirmando que eles devem explicações aos eleitores de seus estados. "Acho que esses deputados têm que explicar lá em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, para a base deles, que deve ter aposentado e pensionista, por que que eles estão blindando alguém suspeito de ter participado", questionou, classificando a situação como "vexatória" diante do avanço das investigações policiais.

Esquema de lavagem de dinheiro e depoimentos

A pauta da comissão também previa a análise de dezenas de requerimentos e o depoimento de Paulo Camisote, filho de Maurício Camisote, que já se encontra preso pelas investigações.

De acordo com Moro, trata-se de um "esquema gigantesco de lavagem" de dinheiro. O senador explicou o papel do depoente do dia nas fraudes: "Esse indivíduo é suspeito, assim como o pai dele, de ter participado desse roubo dos aposentados e feito um esquema grande de lavagem. Ele figurava no quadro social de diversas empresas que receberam recursos desviados".

Para o senador, no entanto, ouvir esses operadores não é suficiente. Ele defende que a investigação alcance os níveis mais altos do esquema de corrupção e acusa o governo de contradição.

"A CPMI tem que subir na hierarquia do crime e, para subir na hierarquia do crime, tem que ir para cima do Lulinha e de outras pessoas relacionadas a esse esquema fraudulento que estão passando ao largo", declarou Moro, concluindo que, "apesar do discurso do Lula, que diz que não vai poupar ninguém, a base do governo está atuando para blindar investigados".

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