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Advogado aciona PF e Gaeco para investigar suposto esquema de financiamento de blogs políticos no Paraná

Advogado aciona PF e Gaeco para investigar suposto esquema de financiamento de blogs políticos no Paraná
Jorge Casagrande aponta uso de dinheiro público ou de origem oculta para bancar ataques a opositores do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa.

O advogado empresarial Jorge Casagrande, que já atua fiscalizando os gastos públicos no Paraná, está finalizando uma denúncia que será entregue ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e à Polícia Federal. O alvo da representação é uma suposta rede de financiamento de blogs, sites e páginas nas redes sociais criada para atacar adversários políticos do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa.

A suspeita surgiu após um trabalho longo de rastreamento dos gastos oficiais com publicidade institucional e contratos de comunicação. Cruzando esses dados — que inclusive já renderam questionamentos no Tribunal de Contas do Estado e no Ministério Público —, Casagrande diz ter encontrado indícios de um "mecanismo de drenagem". Basicamente, dinheiro que deveria ser usado na comunicação pública (ou recursos de fontes não declaradas) estaria bancando estruturas digitais com foco em influenciar as eleições e difamar opositores.

O objetivo do documento que será entregue às autoridades é responder a perguntas diretas: quem está pagando esses produtores de conteúdo, de onde sai o dinheiro, quanto custa e quem está recebendo.

Casagrande faz questão de separar a investigação da liberdade de expressão. “Não se trata de censurar imprensa, blog ou rede social. Todos têm liberdade para criticar e se posicionar. O que precisa ser investigado é quem está financiando determinadas estruturas”, explica o advogado. Para ele, o uso de verba pública ou dinheiro sem origem declarada para esse fim cria uma concorrência desleal na disputa eleitoral.

Os documentos que acompanham a denúncia tentam refazer o caminho da verba para apontar os beneficiários. Se as suspeitas se confirmarem, o caso pode envolver crimes pesados, como abuso de poder econômico, caixa dois (financiamento não contabilizado) e até lavagem de dinheiro, caso haja manobras para esconder a origem dos repasses.

“A pergunta é simples: quem está pagando essa conta? Se o dinheiro é público, precisa estar transparente. Se é privado, precisa ter origem lícita e ser declarado quando a lei exigir. E se existe uma operação para esconder isso, cabe às autoridades investigar”, cobra Casagrande.

A bola agora passa para a PF e o Gaeco, que vão analisar as informações entregues pelo advogado para decidir os próximos passos da investigação e confirmar se houve crime e quem são os responsáveis pelo financiamento.

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