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Política

Contrato de R$ 583 mil do Ipardes com instituto de pesquisa vira alvo de Ação Popular no Paraná

18/06/2026 09:58 726
Contrato de R$ 583 mil do Ipardes com instituto de pesquisa vira alvo de Ação Popular no Paraná
Processo judicial questiona coincidência temporal entre contratação com dinheiro público e divulgação de pesquisa eleitoral favorável a pré-candidato governista.

Uma contratação realizada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) entrou no centro de uma forte polêmica política e jurídica no Paraná. Protocolada na Vara da Fazenda Pública de Curitiba, uma Ação Popular questiona a legalidade do repasse de R$ 583.800,00 à empresa IRG Pesquisas LTDA. O processo levanta suspeitas sobre o uso da máquina pública para influenciar o cenário eleitoral de 2026.  

O foco do questionamento judicial é o "timing" dos acontecimentos. No dia 12 de junho de 2026, o Ipardes formalizou a contratação da IRG para realizar um levantamento sobre a percepção dos paranaenses em relação aos serviços públicos de saúde e segurança. Paralelamente, no mesmo período, o mesmo instituto divulgou uma pesquisa eleitoral que apresentou um cenário de crescimento expressivo para o deputado federal Sandro Alex, apontado como o nome apoiado pelo governador Ratinho Junior à sucessão estadual.  

Discrepância de números e reação na Assembleia

A petição inicial da ação, movida pelo advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande, destaca que os números de intenção de voto trazidos pela IRG diferem drasticamente de outros levantamentos contemporâneos. Enquanto institutos como Veritá e Paraná Pesquisas colocavam Sandro Alex na quarta posição na disputa pelo governo, variando entre 8,5% e 10,7%, o cenário estimulado da IRG — quando associado o apoio do atual governador — catapultou o pré-candidato para a segunda colocação, com 27,5%, criando uma narrativa de ascensão meteórica.  

O caso ecoou imediatamente na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Parlamentares de oposição usaram a tribuna para cobrar explicações rigorosas sobre os critérios técnicos de escolha da empresa. O deputado Requião Filho apontou que a IRG ocuparia apenas a nona posição em um suposto rodízio de institutos credenciados pelo Estado, o que colocaria o contrato sob suspeita de direcionamento. Já o deputado Tito Barichello mencionou que, caso fiquem comprovadas irregularidades, o episódio pode configurar improbidade administrativa e peculato.  

O que diz a Ação Popular

O autor da ação reforça que o objetivo do processo não é impedir a realização de pesquisas eleitorais ou cercear o mercado, mas exigir a separação absoluta entre o Estado e os interesses partidários.  

"Recursos públicos não podem ser utilizados, direta ou indiretamente, para fortalecer narrativas políticas, beneficiar grupos governistas ou criar vantagens competitivas no cenário eleitoral", aponta o documento.

  

A ação judicial aponta que a lesão ao patrimônio público vai além do valor financeiro de quase R$ 600 mil; ela fere a moralidade administrativa, a impessoalidade e a confiança da população nas instituições. A própria comunicação do partido PSD utilizou os números da pesquisa da IRG de forma institucional em seus canais oficiais para promover a pré-candidatura, o que, segundo a ação, evidencia o aproveitamento político do contexto.  

Próximos passos na Justiça

O pedido liminar exige a suspensão imediata de qualquer execução, liquidação ou pagamento decorrente do contrato firmado entre o Ipardes e a IRG Pesquisas. O processo pede ainda que o Estado e a autarquia apresentem a íntegra dos documentos administrativos, incluindo justificativas técnicas e os critérios objetivos de seleção.  

A decisão agora cabe ao Poder Judiciário, que avaliará se a contratação respeitou as regras republicanas ou se serviu como uma extensão oculta da estrutura governamental para as urnas de 2026.  

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