Dono do Banco Master relata repasse de dinheiro para filme de Lula em troca de negócios com o governo
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez revelações de bastidores que explicam como funcionam algumas engrenagens em Brasília. Conhecido por circular bem entre políticos de vários lados, ele confessou que liberou dinheiro para um filme sobre o presidente Lula com um objetivo bem claro: abrir portas para fazer negócios com o governo.
Toda essa tentativa de aproximação com o PT, segundo o banqueiro, foi desenhada pelo então CEO do banco e seu sócio, Augusto Lima. O plano era colocar o Banco Master na chamada "lista exaustiva". Entrar nesse documento significava ter a chave do cofre para acessar fundos controlados pelo pessoal do partido.
Para fazer isso acontecer, nomes de peso do governo foram envolvidos. Em um dos áudios sobre o caso, Vorcaro fala sobre estruturar negócios com o Banco do Brasil e cita diretamente o repasse de dinheiro para Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, além do pedido para investir no filme do presidente. Há também um documento que menciona pagamentos na casa dos 30 milhões de reais.
Na confissão, Vorcaro diz que a rede de contatos incluiu o atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o braço direito dele na pasta, Olavo Noleto, e outros operadores ligados ao PT.
E não ficou só na palavra dele. Quando a Polícia Federal pegou o celular do banqueiro, encontrou mensagens que confirmam a história. Os textos mostram exatamente como um desses operadores, chamado Júlio, apresentou Vorcaro à equipe de Padilha lá no Palácio do Planalto.
No meio do caminho, o plano original deu uma travada e o banco encontrou dificuldades para acessar a tal lista de fundos federais. Mesmo assim, o relacionamento deu alguns frutos. Vorcaro conta que manteve o contato com os petistas e conseguiu captar recursos em fundos de prefeituras, usando a influência dos operadores ligados ao ministro Padilha.