O Labirinto dos Endereços: Mudança de Nomes de Ruas Gera Caos e Deixa Moradores de Pontal do Sul no Escuro
PONTAL DO PARANÁ — O que deveria ser apenas uma atualização de rotina na organização urbana do município transformou-se em uma verdadeira dor de cabeça para os moradores de Pontal do Sul. Há quase dois anos, a Câmara de Vereadores de Pontal do Paraná aprovou uma lei alterando a nomenclatura de diversas vias da cidade. No entanto, a falta de sincronia entre os órgãos públicos, plataformas digitais e as concessionárias de serviços básicos instaurou o caos na região.
O epicentro do problema encontra-se em um trecho específico da antiga Avenida Beira Mar, compreendido entre a sede da Câmara de Vereadores e a rua que cruza a Praça da Tartaruga. De acordo com a lei municipal vigente e os registros oficiais do sistema da Prefeitura, o trajeto passou a se chamar oficialmente Avenida Governador José Richa.
Apesar da clareza da legislação, a aplicação prática tem sido confusa e fragmentada, gerando um apagão de informações:
Sanepar: A companhia de saneamento acatou parcialmente a alteração normativa, passando a registrar o novo endereço (Avenida Governador José Richa) em parte das faturas de água.
Copel: O cenário se inverte na conta de energia. Segundo informações repassadas aos moradores pela central de atendimento da Copel, a Prefeitura teria comunicado oficialmente à concessionária que o nome do mesmo trecho seria Rua das Petúnias, criando uma duplicidade de endereços para o mesmo local.
Impacto Logístico e Burocrático
A divergência de informações extrapola os serviços públicos e atinge diretamente a rotina comercial e logística. Em consultas a aplicativos de GPS e mapas digitais, as alterações ainda não foram consolidadas, mesmo com o considerável tempo decorrido desde a sanção da lei.
Como consequência direta, plataformas de comércio eletrônico, como Shopee e Mercado Livre, enfrentam sérias dificuldades na entrega de produtos. Entregadores relatam dificuldade de navegação, resultando em encomendas rotineiramente atrasadas, perdidas ou devolvidas ao remetente.
Além do transtorno com o varejo online, a situação acarreta entraves legais e administrativos. A população local encontra sérias barreiras no momento de apresentar comprovantes oficiais de residência para aberturas de contas, cadastros em lojas ou trâmites judiciais, já que os documentos emitidos pelas próprias concessionárias apresentam nomes de rua divergentes para a mesma casa.
A Resposta do Poder Público
A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Pontal do Paraná em busca de esclarecimentos sobre a falha de comunicação com a Copel e a demora na consolidação dos dados geográficos. O poder executivo municipal informou que não se pronunciaria de imediato e que responderia às dúvidas apenas mediante a abertura de um protocolo formal de solicitação.
A exigência burocrática, contudo, contrasta com a realidade vivida pela comunidade. Em contato com os moradores da região afetada, a reportagem foi informada de que os próprios cidadãos já buscaram as vias formais. Apesar das inúmeras tentativas de contato e da abertura sistemática de protocolos junto à Prefeitura ao longo dos últimos meses, até o lançamento desta reportagem, nenhum dos moradores havia recebido resposta ou perspectiva de solução para o imbróglio.
O impasse expõe a fragilidade da comunicação interinstitucional e deixa a população refém de uma burocracia que, ao invés de organizar o espaço urbano, acabou por apagar do mapa oficial parte de seus próprios cidadãos.
Redação Tribuna do Litoral