Vídeo compartilhado nas redes sociais levanta dúvidas sobre a obra dos molhes em Pontal do Sul; estrutura estaria cedendo?
Redação | Litoral
Um vídeo que começou a circular nas redes sociais nesta semana acendeu o sinal de alerta entre a comunidade e os moradores daqui de Pontal do Paraná. As imagens mostram pedras se desprendendo e caindo no mar na recém-construída estrutura dos molhes (também conhecidos como guias de correntes) no Canto das Pedras, em Pontal do Sul. O incidente levanta um questionamento inevitável entre os munícipes: a qualidade técnica da obra está comprometida?
Promessa de segurança e fomento ao turismo
A obra de requalificação dos molhes na desembocadura do canal do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) foi uma grande aposta conjunta entre a Prefeitura de Pontal do Paraná e o Governo do Estado, licenciada pelo Instituto Água e Terra (IAT). Orçada em cerca de R$ 9,9 milhões, a intervenção tinha como objetivos principais conter os intensos processos erosivos da região, reduzir o assoreamento e aumentar a segurança da navegação até a Ilha do Mel.
Os números do projeto chamaram a atenção pela dimensão e pela celeridade. Iniciada no segundo semestre de 2025, a estrutura já ultrapassava a marca de 99% de conclusão em janeiro deste ano. Para erguer o paredão contra o avanço do mar, foram utilizadas mais de 60 mil toneladas de pedras, que exigiram o tráfego de cerca de 2.400 caminhões. O projeto turístico incluiu ainda a instalação de uma passarela de 150 metros sobre o molhe para moradores e visitantes.
A força hidrodinâmica vs. Qualidade estrutural
A engenharia por trás de um molhe de enrocamento (blocos de rocha) tem justamente a função de absorver e dissipar a energia das ondas e das correntes, estabilizando a margem costeira.
No entanto, o Canto das Pedras é uma área submetida a forças hidrodinâmicas extremas, por se tratar de um ponto de encontro entre as correntes do canal da Baía de Paranaguá e o mar aberto. Embora especialistas em engenharia costeira apontem que um leve reacomodamento das pedras possa ocorrer nos meses seguintes à inauguração da estrutura, o desmoronamento contínuo de blocos exibido no vídeo sugere um possível erro de cálculo. As dúvidas giram em torno do dimensionamento do peso das pedras utilizadas e se a técnica de encaixe adotada foi robusta o suficiente para suportar a maré viva do nosso litoral.
População cobra vistorias e respostas
O avanço extremamente rápido dos trabalhos no final de 2025 – saltando de 50% de execução em setembro para a fase de acabamentos em janeiro – faz a população se perguntar se o cronograma para entregar o atrativo no verão acabou negligenciando etapas críticas de fixação e estabilização da base do molhe.
Pescadores, barqueiros comerciais e residentes que dependem do canal exigem agora laudos técnicos atualizados que atestem a segurança da construção e a garantia de que os detritos não vão prejudicar o tráfego de embarcações. O espaço segue aberto para que os órgãos responsáveis da Prefeitura e do Estado esclareçam se os danos vistos nas imagens exigirão uma intervenção corretiva de emergência com dinheiro público.