SÉRIE ESPECIAL: RAIO-X DE PONTAL DO PARANÁ REPORTAGEM 1 | POLÍTICA E ECONOMIA
Pontal do Paraná nasceu com a promessa de ser a joia do litoral paranaense. Com praias extensas, localização estratégica e um enorme potencial logístico e turístico, o município tinha tudo para ser um verdadeiro motor econômico. No entanto, prestes a completar 31 anos de emancipação política no final deste ano, a sensação de quem vive e investe na cidade é de que o progresso puxou o freio de mão.
O desenvolvimento de Pontal caminha a passos lentos, frequentemente travado por barreiras burocráticas e por uma crônica falta de visão política de longo prazo. Para entender o tamanho da oportunidade perdida, basta olhar para o sul e cruzar a divisa do estado.
O Fenômeno Itapoá
A cidade de Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, compartilha uma realidade geográfica muito semelhante à de Pontal do Paraná. Emancipada em 1989, apenas seis anos antes de Pontal, Itapoá escolheu um caminho diferente: o planejamento integrado.
Com a atração ativa de empresas, foco maciço em infraestrutura e a instalação de um porto planejado, Itapoá deu um salto colossal. Hoje, o município catarinense ostenta um Produto Interno Bruto (PIB) que ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões. Enquanto isso, Pontal do Paraná segue refém de debates políticos infindáveis e projetos que raramente saem do papel, mantendo um PIB estagnado na casa dos R$ 800 milhões.
A falta de um projeto de cidade claro afasta os grandes investimentos e sufoca a geração de empregos formais. O resultado é uma economia sazonal, que sobrevive quase que exclusivamente dos meses de verão e agoniza durante a baixa temporada. O gigante litorâneo precisa acordar, mas, para isso, será necessário trocar as promessas de palanque por gestão técnica e coragem política.
O Peso da Burocracia e a Busca por Renovação
O alerta para a urgência de uma mudança de postura tem ecoado não apenas entre os moradores, mas também alcançado esferas políticas superiores. Recentemente, o cenário de estagnação motivou a visita do senador Sergio Moro a Pontal do Paraná, acompanhado de sua equipe técnica. Durante a passagem pelo município, o parlamentar pautou justamente os entraves estruturais que a cidade enfrenta, ressaltando que é necessária "força e coragem para que a mudança legítima aconteça".
Integrando a comitiva, o advogado e pré-candidato a deputado Federal, Jeffrey Chiquini, fez uma crítica contundente ao modelo de gestão pública atual. Segundo ele, "a política atual do Paraná beneficia mais o nosso estado vizinho [Santa Catarina] do que nosso próprio estado, por conta dessas barreiras que temos aqui".
A fala de Chiquini traduz uma realidade amarga para o setor produtivo: a excessiva burocracia, a morosidade nos licenciamentos ambientais e a falta de incentivos governamentais do lado paranaense acabam empurrando investidores para o sul. Na prática, o que ele quer dizer é que o Paraná, ao impor tantas barreiras legais e fiscais, age como o maior "cabo eleitoral" do desenvolvimento catarinense, entregando de bandeja empregos, empresas e infraestrutura portuária para Itapoá e região, enquanto o litoral paranaense fica estagnado.
Quem "assina o cheque" dessa cobrança e garante que o cenário passará por uma fiscalização rigorosa é o também pré-candidato a deputado estadual Renato Emanuel. Responsável por articular a vinda do senador Sergio Moro e de Jeffrey Chiquini à região, Emanuel assume o compromisso de lutar para que as transformações realmente saiam do papel no município e em todo o litoral. Em tom de ultimato contra o descaso histórico, ele garante: "Vamos deixar de receber só as migalhas".
A promessa está feita. Resta saber se, ao completar 31 anos, Pontal do Paraná finalmente encontrará o caminho para destravar seu potencial ou se continuará assistindo, da arquibancada, ao sucesso de seus vizinhos.
Redação do Tribuna do Litoral