Deltan rebate pedido do PT para barrar sua candidatura ao Senado e garante estar elegível
A disputa pelo Senado no Paraná já começou a esquentar. Nesta terça-feira (4), a equipe de Deltan Dallagnol divulgou uma nota dura em resposta à tentativa do Partido dos Trabalhadores (PT) de impugnar – ou seja, tentar barrar na Justiça – a sua candidatura. O recado foi direto: para Deltan, o PT, que foi alvo da Lava Jato, tenta tirá-lo do jogo no "tapetão" por não conseguir derrotá-lo no voto.
Para mostrar que a situação está sob controle, o ex-procurador afirma que resolveu se antecipar. Segundo a assessoria, ele já levou o caso à Justiça Eleitoral no mês passado, antes mesmo do fim dos prazos, entregando toda a documentação necessária e pareceres de juristas de peso. A mensagem principal da equipe é uma só: ele está apto para concorrer.
O grande fantasma em torno da candidatura de Deltan é o que aconteceu no ano passado. Em 2023, ele teve os quase 345 mil votos anulados e perdeu o mandato de deputado federal porque a Justiça Eleitoral entendeu que ele havia pedido exoneração do Ministério Público para fugir de possíveis punições em processos disciplinares.
Agora, a defesa do ex-procurador usa essa mesma história a seu favor. O argumento é que o tempo passou e provou que aquela decisão foi baseada em uma "suposição". Segundo a nota, como ele não tinha nenhum processo do tipo pendente quando saiu e nada resultou em punição de fato, a tese que derrubou seu mandato caiu por terra.
O texto divulgado à imprensa ainda dá uma alfinetada no atual cenário político do país. A equipe de Deltan ironiza o fato de que políticos condenados por corrupção estão disputando eleições com "absoluta naturalidade", enquanto alguém que atuou no combate a esses crimes precisa ficar provando que tem o direito de ser candidato.
O caso agora está nas mãos da Justiça Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que vai avaliar o pedido do PT e os argumentos da defesa nos prazos normais da lei. Até lá, a campanha de Deltan tenta firmar o discurso de que quem deve decidir o futuro da vaga no Senado é o eleitor paranaense, e não os partidos rivais.
Abaixo a nota da assessoria de imprensa de Deltan na íntegra:
"NOTA À IMPRENSA · Deltan Dallagnol
Curitiba, 4 de agosto de 2026
A impugnação do Partido dos Trabalhadores (PT) não é nada mais do que o partido investigado pela operação Lava Jato tentando tirar da urna o procurador que coordenou a operação. Não conseguem derrotar Deltan no voto, então tentam retirá-lo antes do voto.
Deltan está tão seguro de sua situação jurídica que levou a questão à Justiça Eleitoral em julho e antecipou o seu pedido de registro de candidatura, com todos os documentos, pareceres de grandes juristas e antes de qualquer prazo: ele está elegível. Não tinha processo administrativo disciplinar pendente quando deixou o Ministério Público, não foi demitido, não perdeu o cargo, e nenhum dos procedimentos apontados resultou em punição. Em 2023, o voto de quase 345 mil paranaenses foi anulado com base numa suposição sobre o futuro. O futuro chegou e não confirmou nada.
Hoje, no Brasil, condenados por corrupção disputam eleições com absoluta naturalidade, enquanto quem combateu a corrupção precisa provar que pode concorrer. Deltan responderá nos autos, no prazo da lei, e confia na Justiça Eleitoral do Paraná. Fora dos autos, vale o que sempre valeu: quem escolhe quem representa o Paraná no Senado não é partido nenhum, é o eleitor paranaense."