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Legado e Resiliência: A Estrutura de 2002 e a Resposta Humana à Tragédia do Vicunã ​Retrospectiva de Obras e Crises em Pontal

08/11/2025 11:13 3.343
Legado e Resiliência: A Estrutura de 2002 e a Resposta Humana à Tragédia do Vicunã ​Retrospectiva de Obras e Crises em Pontal
Ao revisitar a história recente de Pontal do Paraná, a infraestrutura criada no início dos anos 2000 ainda ecoa como um pilar de desenvolvimento e, inesperadamente, de gestão de crise. Em 2002, a gestão do então prefeito Zé do Pontal inaugurava uma obra simbólica em Pontal do Sul: a sede do Parque do Manguezal do Perequê.

Em 15 de novembro de 2004, dois anos após a inauguração, o litoral paranaense foi chocado pela explosão do navio-tanque chileno NT Vicunã, na Baía de Paranaguá. O cenário foi de devastação: um derramamento de milhares de toneladas de metanol e óleo combustível interditou o sustento da população.
​O impacto foi imediato e profundo. Atingiu não apenas os pescadores que dependiam do mar, mas também as dezenas de famílias que viviam do manguezal, especialmente os coletores de caranguejo, que viram seu ambiente de trabalho e fonte de renda completamente comprometidos pela contaminação.
​A Resposta: O Prédio e as Pessoas
​Foi nesse momento de crise aguda que a estrutura de 2002 mostrou seu valor social. A sede do Parque, então base do Departamento de Pesca, tornou-se o ponto central de auxílio e organização para a comunidade devastada.
​Mas a resposta não foi apenas estrutural; foi humana e política. Enquanto a gestão municipal coordenava a logística, os pescadores e coletores de caranguejo, duramente afetados, encontraram amparo crucial na Câmara de Vereadores.
​A família do prefeito Zé do Pontal esteve na linha de frente, trabalhando ativamente para minimizar as consequências. A então primeira-dama, Maria Inez Campos da Silva, atuando na Ação Social do município, foi figura central na organização e distribuição da ajuda emergencial às famílias. Paralelamente, o apoio político foi fundamental, com forte atuação do então vereador e irmão do prefeito, Neri Antônio da Silva, que mobilizou recursos e suporte comunitário.
​Registros da época apontam que essa mobilização conjunta permitiu o repasse de um auxílio emergencial significativo, que ultrapassou os 400 mil reais, destinado a pescadores e agricultores locais afetados pela tragédia.
​O Legado
​O Parque do Manguezal, portanto, transcendeu sua função original. Deixou de ser apenas um centro de estudos e gestão pesqueira para se tornar um símbolo da resiliência de Pontal do Paraná.
​Ele provou que o investimento em infraestrutura local é, acima de tudo, um investimento na capacidade da comunidade de enfrentar suas maiores crises. Hoje, essa mesma estrutura física continua seu legado voltado ao conhecimento, sediando a biblioteca do Centro de Estudos do Mar da UFPR, um testemunho duradouro de sua importância para a cidade.

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