O Legado de um Projeto Audacioso: Pontal do Paraná como Pioneira
Estruturas que Mudaram o Fundo do Mar
Entre 1999 e 2002, foram instaladas cerca de 2.000 estruturas de concreto na orla de Pontal do Paraná e Matinhos. O projeto, que contou com o apoio ativo da prefeitura na interlocução com as comunidades locais, utilizou tecnologias como:
Reef Balls®: Estruturas hemisféricas que reduzem a turbulência e criam abrigo para peixes.
Unidades Antiarrasto (UAA): As chamadas "Sentinelas Ocultas", blocos equipados com trilhos metálicos para impedir a pesca predatória industrial.
Cones e Blocos Lindberg: Para aumentar a complexidade do habitat marinho.
O Marco dos Naufrágios de 2001: Turismo e Vida
Um dos pontos altos da gestão foi o afundamento controlado das balsas Espera 7 e Dianka, em janeiro de 2001. A operação, que contou com logística complexa e o uso de explosivos precisos, criou os primeiros recifes de naufrágio autorizados pela Marinha no Brasil para fins de turismo e biodiversidade.
Resultados que Atravessam Décadas
A visão de Zé do Pontal e Jackson Bassfeld em apoiar o projeto naquela época colhe frutos até hoje. O monitoramento realizado pelo CEM-UFPR entre 2001 e 2004 já demonstrava a eficácia da iniciativa:
Recuperação Pesqueira: Já em 2001, pescadores de Shangri-lá relatavam a volta de recursos pesqueiros em áreas protegidas pelas sentinelas ocultas.
Parque dos Meros: A criação de refúgios permitiu a sobrevivência do Mero (Epinephelus itajara), espécie ameaçada que pode pesar até 400kg e encontrou nessas estruturas um local seguro para alimentação e reprodução.
Maricultura: A prefeitura incentivou, via programa "Paraná 12 Meses", o cultivo de mexilhões em áreas protegidas pelos recifes, garantindo renda extra para as famílias de pescadores.
"O envolvimento da comunidade e da prefeitura foi crucial para legitimar as intervenções e garantir que as coordenadas de lançamento respeitassem as rotas de navegação tradicionais."
Do Passado ao Futuro: O Legado REBIMAR
Hoje, Pontal do Paraná é reconhecida nacionalmente como referência em gestão costeira. O que começou como um projeto audacioso e com resistência em 2001, hoje se desdobra em iniciativas como o REBIMAR (Associação MarBrasil), que continua o trabalho de restauração da biodiversidade marinha iniciado há mais de duas décadas.
A iniciativa política de Zé do Pontal em apostar na ciência e no meio ambiente no início do milênio não apenas protegeu o oceano, mas pavimentou o caminho para o turismo sustentável e a economia azul que hoje define nossa região.