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MAIS DE R$ 1 MILHÃO EM CONTRATOS DE COMUNICAÇÃO DO GOVERNO ACENDE ALERTA ELEITORAL NO PARANÁ

MAIS DE R$ 1 MILHÃO EM CONTRATOS DE COMUNICAÇÃO DO GOVERNO ACENDE ALERTA ELEITORAL NO PARANÁ
Depois da polêmica envolvendo o IRG, novos contratos levantam uma pergunta incômoda: o Governo está montando uma central de inteligência de mídia para quê?

O Governo do Paraná acaba de formalizar três contratos com empresas ligadas ao ecossistema Ibope/Kantar IBOPE para serviços de monitoramento de publicidade, audiência de rádio e televisão e verificação de investimentos em publicidade.

 

Somados, os contratos chegam a R$ 1.043.641,56 e terão vigência de 12 meses, de setembro de 2026 a agosto de 2027 — período que atravessa integralmente a eleição estadual.

 

Não se trata, formalmente, de contratação de pesquisa eleitoral. E é justamente por isso que a sociedade precisa fazer as perguntas certas.

 

Que tipo de informação será produzida? Quem terá acesso a esses dados? Para que finalidade? E quais mecanismos impedirão que informações estratégicas produzidas com dinheiro público sejam utilizadas, direta ou indiretamente, em benefício de candidaturas?

 

A preocupação ganha dimensão ainda maior diante da recente controvérsia envolvendo o Instituto IRG.

 

Em junho, uma pesquisa do instituto apresentou os pré-candidatos vinculados aos seus chamados “padrinhos políticos”. Nesse formato, Sandro Alex, associado ao governador Ratinho Junior, apareceu com 27,5%, enquanto, em cenário sem essa vinculação, o próprio Sandro registrava 14,4%. O levantamento também testou um eventual segundo turno com os candidatos apresentados junto aos respectivos apoiadores.  

 

A coincidência entre contratos públicos e pesquisas eleitorais do IRG chegou ao Judiciário. Uma Ação Popular questionou especificamente um contrato de R$ 583,8 mil firmado pelo Ipardes com o instituto e levantou dúvidas sobre a coincidência temporal entre a contratação pública e a divulgação de uma pesquisa considerada favorável ao candidato apoiado pelo governador. Trata-se de questionamento judicial, e não de uma decisão definitiva reconhecendo irregularidade.  

 

Agora surge um novo capítulo.

 

Mais de R$ 1 milhão em contratos para conhecer audiência, monitorar publicidade e medir investimentos em comunicação.

 

A pergunta é inevitável:

 

Estamos diante de simples rotina administrativa ou da construção de uma poderosa estrutura de inteligência de comunicação justamente no ano em que o grupo político que comanda o Estado disputa a sua sucessão?

 

Não estamos acusando antecipadamente nenhuma empresa ou agente público de ilegalidade.

 

Estamos exigindo transparência.

 

Porque publicidade institucional deve informar o cidadão — não servir como laboratório para estratégia eleitoral.

 

Se os dados produzidos pelos contratos forem exclusivamente técnicos e administrativos, não haverá qualquer dificuldade em apresentar à sociedade:

 

* os Termos de Referência completos;

* os produtos e relatórios que serão entregues;

* a metodologia utilizada;

* os critérios de contratação;

* os responsáveis pelo recebimento dos relatórios;

* quem terá acesso às informações;

* a finalidade de cada levantamento;

* e os mecanismos de controle para impedir utilização político-eleitoral dos dados.

 

A pergunta que não quer calar

 

O Paraná já viu a discussão sobre pesquisas que passaram a medir candidatos vinculados a “padrinhos políticos”.

 

Agora, o Governo contrata mais de R$ 1 milhão em inteligência de audiência e publicidade para um período que atravessa a eleição.

 

Coincidência? Pode ser.

 

Mas, em uma democracia, coincidências envolvendo mais de R$ 1 milhão em dinheiro público precisam ser explicadas.

 

A sociedade não pode aceitar que comunicação institucional, dinheiro público, monitoramento de mídia e estratégia política sejam colocados no mesmo ambiente sem transparência absoluta.

 

E há outro problema: quem fiscaliza quem controla a informação?

 

Se grande parte da mídia tradicional recebe recursos de publicidade institucional dos próprios governos e órgãos públicos que precisam ser fiscalizados, torna-se ainda mais importante que veículos independentes tenham acesso às informações e façam as perguntas que precisam ser feitas.

 

A imprensa não pode ser tratada como extensão da estrutura de comunicação de nenhum governo.

 

Publicidade pública não pode comprar silêncio.

 

Pesquisa pública não pode fabricar narrativa eleitoral.

 

Monitoramento de mídia não pode virar inteligência política de campanha.

 

E dinheiro do contribuinte não pode ser utilizado para criar vantagem competitiva para qualquer candidato.

 

Por isso, defendemos que os contratos sejam submetidos ao escrutínio público, dos órgãos de controle e da imprensa.

 

Não estamos dizendo que há crime. Estamos perguntando se existem mecanismos suficientes para garantir que não haja.

 

E essa é uma pergunta que todo cidadão paranaense tem o direito de fazer.

 

DEMOCRACIA CRISTÃ (DC)

 

Posicionamento em defesa da transparência, da liberdade de imprensa, da impessoalidade da publicidade institucional e do uso responsável dos recursos públicos.

 

Executiva Estadual do Paraná

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