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Retrospectiva

33 anos de Tribuna do Litoral: quando o passado continua presente

22/08/2025 14:06 165
33 anos de Tribuna do Litoral: quando o passado continua presente
Ao longo de três décadas, o Jornal Tribuna do Litoral se consolidou como um veículo que não apenas registra fatos, mas provoca reflexão e cobra mudanças. Entre tantas reportagens que marcaram nossa história, uma publicada em janeiro de 2012 ainda se mantém atual e necessária: “Câmara de Vereadores, Sinônimo de Corrupção”.

Naquele momento, a matéria já alertava para a descrença da população em relação ao papel dos legisladores municipais: “Finalmente foi confirmado, a maioria dos vereadores não serve para nada. Pelo contrário, eles sugam os cofres públicos com salários absurdos e uma infinidade de regalias que nenhum trabalhador comum tem”.

O texto de 2012 denunciava a troca de favores, a falta de fiscalização e o distanciamento entre os vereadores e a comunidade, pontuando que “o que se vê é apenas o velho toma lá dá cá”. Chamava atenção também para o impacto da corrupção sobre o cidadão comum, lembrando que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, “o brasileiro trabalha 148 dias do ano só para pagar tributos”.

Passados 13 anos desde a publicação, infelizmente a crítica ainda encontra eco na realidade. A descrença política, o mau uso do dinheiro público e a sensação de que “vereador não serve para nada” continuam presentes no discurso popular.

Ao completar 33 anos, o Tribuna do Litoral reafirma o mesmo compromisso de outrora: dar voz à população, expor problemas que insistem em se repetir e reforçar que “o voto é a arma do povo contra a corrupção”.

Nossa missão segue a mesma desde a primeira edição: informar com responsabilidade, questionar o poder e valorizar o papel do cidadão. Se o passado ainda dialoga com o presente, cabe à sociedade escrever um futuro diferente.

Abaixo estão trechos da matéria original, publicado em Janeiro de 2012

Câmara de Vereadores, Sinônimo de Corrupção
Brasileiro gasta 148 dias do ano só para pagar tributos

Finalmente foi confirmado, a maioria dos vereadores não serve para nada.
Pelo contrário, eles sugam os cofres públicos com salários absurdos e uma infinidade de regalias que nenhum trabalhador comum tem.

Para se ter uma ideia, de janeiro a setembro de 2011 a Câmara Municipal de Pontal do Paraná gastou R$ 4.205.932,10 para manter os nobres edis.
Em média, cada vereador custa aos cofres públicos, por mês, cerca de R$ 46.732,58, dinheiro suficiente para se comprar uma casa popular a cada 30 dias.

E o que o povo tem em troca? Nada. A Câmara de Vereadores é um local onde se reúnem amigos do rei para homologar projetos do Executivo.
Nunca vimos um vereador defendendo de fato o interesse do povo.
O que se vê é apenas o velho toma lá dá cá.

Infelizmente as pessoas esquecem que um vereador não pode legislar em causa própria, não pode exigir vantagens ou empregos para parentes, ou se utilizar do cargo para obter benefícios pessoais.
Mas o que vemos é uma total inversão de valores.
O povo elege vereadores e os vereadores se elegem em função de cargos no Executivo.
Virou uma promiscuidade política.

Não é de hoje que escutamos a frase “vereador não serve para nada”.
E é a mais pura verdade.
Qual é a função de um vereador?
Em tese, fiscalizar o Executivo.
Mas será que eles fazem isso?
Ou será que preferem um carguinho aqui, uma boquinha ali?
E assim caminha a humanidade...

O Brasil vive um momento em que a corrupção está entranhada em todos os setores.
A começar pelo Governo Federal que se vê atolado até o pescoço em corrupção.
E os municípios seguem o mesmo caminho.

Enquanto isso, o povo é quem paga a conta.
A carga tributária do país já ultrapassa os 36% do PIB.
Ou seja, de tudo que se produz, mais de um terço vai para os cofres públicos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o brasileiro trabalha 148 dias do ano só para pagar tributos.
Isso significa que de 1º de janeiro até 28 de maio, o trabalhador não vê a cor do dinheiro.
Ele trabalha, trabalha e o resultado do seu suor vai direto para o bolso dos políticos e seus comparsas.

E como se não bastasse, esse dinheiro não retorna em benefícios para a população.
O que vemos são escolas caindo aos pedaços, hospitais sucateados e estradas intransitáveis.
Enquanto isso, vereadores e prefeitos desfilam com seus carrões importados, fazem viagens e jantares às custas do dinheiro público.

Não podemos mais admitir que a corrupção continue mandando no país.
Precisamos dar um basta nisso.
Mas como fazer isso?
O povo precisa acordar.
Não adianta só reclamar.
É preciso participar da política, fiscalizar e cobrar.
Não podemos mais eleger aventureiros e pessoas sem escrúpulos que se aproveitam do cargo para benefício próprio.
Precisamos eleger pessoas sérias, comprometidas com o bem comum e que tenham uma vida limpa.

E mais: é preciso que a população aprenda a dizer não.
Não ao cabide de empregos, não à troca de favores, não ao toma lá dá cá.
O povo precisa mostrar que não é bobo e que não aceita mais ser enganado.

Infelizmente, isso ainda está longe de acontecer.
Mas precisamos acreditar que um dia o Brasil será passado a limpo.
E isso só vai acontecer quando o povo tomar consciência do seu papel na política.
Afinal, o voto é a arma do povo contra a corrupção.




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