EVENTO DOS 110 ANOS DO TURISMO REÚNE CANDIDATOS E LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE USO DA ESTRUTURA DA SETUR
A comemoração dos 110 anos do Turismo no Paraná, realizada nesta terça-feira (18), ganhou um ingrediente político que merece explicações.
O evento, apresentado como a 100ª reunião ordinária do Conselho Paranaense de Turismo (Cepatur), reúne representantes do setor para celebrar o marco histórico relacionado à visita de Santos Dumont às Cataratas do Iguaçu, em 1916. (BnT Online)
O que chama a atenção é a presença, no mesmo ambiente institucional, de Leonaldo Paranhos, ex-secretário de Estado do Turismo e candidato a deputado federal, e Sandro Alex, candidato ao Governo do Paraná.
A coincidência ocorre justamente quando a própria Secretaria de Estado do Turismo (SETU) é alvo de uma Ação Popular que questiona mais de R$ 118 milhões em contratações diretas, repasses e patrocínios vinculados à estrutura do turismo estadual.
Segundo a ação, foram identificadas 364 contratações diretas da SETU, no valor de R$ 56,2 milhões, além de aproximadamente R$ 62,2 milhões repassados ao Viaje Paraná por meio de contrato de gestão e seus aditivos. O processo questiona, entre outros pontos, a ausência de critérios públicos para seleção dos eventos, definição dos valores e prestação de contas.
A situação ganha ainda mais relevância porque a ação aponta que o padrão de contratações de espaços e estandes teve início em abril de 2025, justamente no período em que Leonaldo Paranhos assumiu a Secretaria de Turismo. A petição registra R$ 9,49 milhões em 89 avenças realizadas em 2025 e também aponta contratos posteriores durante as gestões seguintes.
No caso do atual secretário, Luciano Bartolomeu, a ação aponta R$ 24,2 milhões em contratações de estandes apenas nos meses de maio e junho de 2026, além de 29 avenças celebradas a partir de 4 de julho.
É justamente nesse contexto que surge a pergunta: quem está pagando, organizando e promovendo o evento dos 110 anos do Turismo do Paraná?
Se a estrutura, divulgação, logística, contratação de serviços ou despesas do encontro estão sendo custeadas com recursos da SETU ou de entidades vinculadas à pasta, é necessário esclarecer qual é o processo administrativo, qual o valor gasto, quem foi contratado, qual a fonte dos recursos e quais foram os critérios utilizados.
Também é necessário esclarecer qual é a finalidade institucional da participação de candidatos em um evento realizado dentro da estrutura pública do turismo estadual, especialmente em pleno calendário eleitoral.
A própria Ação Popular pede à Justiça que sejam apresentados os processos administrativos, atas, pareceres, critérios de seleção e precificação, prestações de contas e comprovantes de execução das contrapartidas relacionadas às despesas questionadas.
O ponto não é questionar a importância histórica dos 110 anos do Turismo nem a realização de uma reunião do Conselho Paranaense de Turismo. O que precisa ser esclarecido é onde termina a atividade institucional do Estado e onde começa a utilização da estrutura pública para agendas de natureza política ou eleitoral.
A pergunta é simples e objetiva:
Quanto custou o evento dos 110 anos do Turismo no Paraná, quem pagou, quem organizou, quais empresas foram contratadas e por qual processo?
E, principalmente: por que dois candidatos — um ex-secretário da própria pasta e outro candidato ao Governo do Estado — aparecem como figuras políticas em um evento realizado dentro da estrutura institucional do Turismo do Paraná?
A transparência dessas informações é ainda mais importante diante da ação judicial que já questiona justamente os critérios de contratação, seleção, precificação e prestação de contas de recursos destinados à promoção de eventos pelo setor de Turismo do Estado.
O processo tramita sob o nº 0002972-59.2026.8.16.0179.