Moro anuncia presídio “El Salvador” no Paraná e propõe choque de lei e ordem contra o crime organizado
O senador Sergio Moro (PL-PR), presidente do Conselho Superior de Segurança da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e candidato ao Governo do Paraná, foi o anfitrião, nesta segunda-feira (31), do Congresso Segurança Pública e Economia, realizado na sede da entidade, em São Paulo. O encontro reuniu autoridades, especialistas e representantes do Brasil e do exterior para discutir estratégias de enfrentamento ao crime organizado e os impactos da insegurança sobre a economia. Entre os convidados internacionais esteve o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, em sua primeira participação em um evento no Brasil.
Durante o congresso, Moro defendeu uma atuação firme e integrada do Estado contra as organizações criminosas e destacou a importância de conhecer experiências nacionais e internacionais que apresentaram resultados concretos no combate à criminalidade.
“Temos muito a aprender com a experiência de El Salvador”, afirmou Moro.
Em entrevista coletiva concedida à imprensa durante o evento, o senador também apresentou as medidas que pretende adotar para a segurança pública do Paraná. Entre elas está a construção de uma penitenciária estadual de segurança máxima, que será batizada de “El Salvador”, em referência à experiência do país no combate às organizações criminosas, na redução dos homicídios e na retomada de territórios.
Segundo Moro, a unidade deverá contar com celas individuais, bloqueio de sinal de celular, controle rigoroso de visitas e monitoramento integral, com foco no isolamento das lideranças de organizações criminosas.
“Ter um presídio próprio de segurança máxima nos dará a autonomia de gestão necessária”, afirmou. Segundo o senador, atualmente o Paraná depende da disponibilidade de vagas e da autorização federal para encaminhar presos de alta periculosidade aos presídios federais.
Moro ressaltou que a penitenciária é uma das medidas previstas para a área de segurança em seu plano para o Estado. Entre as propostas estão ainda a criação de forças-tarefa, maior integração entre as polícias e investimentos em tecnologia para ampliar a capacidade de investigação e enfrentamento às organizações criminosas.
O senador defendeu também penas rigorosas para criminosos de alta periculosidade e o isolamento de lideranças que continuam comandando atividades criminosas mesmo depois de presas.
“O enfrentamento deve ocorrer estritamente dentro da legalidade. Defendemos um choque de lei e ordem, não violência gratuita”, afirmou.
“O nosso objetivo no Paraná é tornar o estado o mais seguro do país, começando pela construção do presídio de segurança máxima, pela integração das forças policiais e pela política de tolerância zero contra a criminalidade”, concluiu Moro.
Experiência de El Salvador
A presença de Gustavo Villatoro foi um dos destaques do Congresso Segurança Pública e Economia. Pela primeira vez no Brasil, o ministro apresentou a estratégia adotada pelo governo do presidente Nayib Bukele para enfrentar as organizações criminosas e recuperar o controle do Estado sobre territórios dominados por gangues.
Em sua apresentação, Villatoro relatou que El Salvador chegou a registrar 106 homicídios por 100 mil habitantes e uma taxa de impunidade de 97% nos casos de assassinato. Segundo o ministro, o avanço das organizações criminosas levou à formação de estruturas paralelas de poder, com controle de comunidades, territórios e mecanismos próprios de arrecadação.
“O inimigo do Estado era uma organização criminosa que tinha mais de 60 mil pessoas e funções típicas de um Estado: território, soberania e mecanismos de arrecadação”, afirmou.
Segundo Villatoro, a recuperação da autoridade estatal foi determinante para a mudança dos indicadores de segurança. O ministro afirmou que El Salvador acumula 1.306 dias sem homicídios durante a gestão Bukele.
“Algo importante que aprendemos é que a criminalidade é altamente rentável quando há impunidade”, declarou.
Villatoro também defendeu que o combate às organizações criminosas seja realizado sob a autoridade e dentro da legalidade do Estado.
“Não se combate o crime sendo criminoso”, afirmou.
Crime organizado além das fronteiras
A dimensão internacional do crime organizado foi abordada por Giovanni Tartaglia Polcini, diretor do programa da União Europeia EL PAcCTO 2.0. Ele defendeu maior integração entre países e instituições para atingir não apenas integrantes das organizações, mas também as estruturas financeiras e econômicas que permitem a continuidade das atividades criminosas.
“Não basta deter um indivíduo; é necessário desarticular a estrutura que o sustenta, caso contrário, a organização sobreviverá”, afirmou.
Polcini alertou que organizações criminosas modernas se infiltram na economia formal, corrompem agentes públicos, interferem em licitações, promovem lavagem de dinheiro e prejudicam empresas que atuam dentro da legalidade.
O especialista citou a atuação transnacional do PCC e da máfia italiana ’Ndrangheta e chamou atenção para a aproximação entre as duas organizações.
“A aliança entre o PCC e a ’Ndrangheta é perigosa, muito perigosa, inclusive para a segurança nacional”, declarou.
Para Polcini, a redução da violência aparente nas ruas não significa necessariamente o enfraquecimento do crime organizado, já que organizações consolidadas podem recorrer a mecanismos menos visíveis de controle econômico, político e territorial.
“A segurança deve ser compreendida como uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.
Insegurança e seus impactos na economia
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, reforçou a relação entre segurança pública e desenvolvimento econômico. Segundo pesquisa apresentada pela entidade durante o congresso, 78% dos brasileiros sofreram algum impacto direto da insegurança em suas vidas nos últimos 12 meses.
“Esta pauta é crucial não apenas para a ordem pública, mas para o desenvolvimento da nossa economia, a atração de investimentos, o fomento ao turismo e a garantia de emprego e renda para todos”, afirmou Skaf.
Para o presidente da Fiesp, a insegurança deixou de ser um problema restrito a determinadas cidades ou regiões e tornou-se um desafio nacional que exige uma resposta coordenada.
Experiência brasileira
O candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, apresentou a experiência de redução da violência no estado.
Segundo ele, durante sua gestão na Segurança Pública, a taxa de homicídios caiu de quase 70 para 31 mortes por 100 mil habitantes em cinco anos.
“O diferencial foi a convicção de que o Estado deve ser sempre mais forte do que o infrator”, afirmou.
Gaspar defendeu integração das forças de segurança, inteligência, valorização policial, combate à impunidade e instrumentos mais rigorosos para atingir as estruturas das organizações criminosas e recuperar territórios sob influência de facções.
Ao iniciar sua manifestação, o deputado destacou a trajetória de Moro na área da segurança pública e se referiu ao senador como “futuro governador do Paraná”.
O Congresso Segurança Pública e Economia reuniu autoridades, integrantes das forças de segurança, representantes do sistema de Justiça, empresários e especialistas brasileiros e estrangeiros. À frente do Conselho Superior de Segurança da Fiesp, Moro defendeu que o enfrentamento ao crime organizado exige integração institucional, inteligência, combate à impunidade e ações capazes de atingir o poder financeiro e territorial das organizações criminosas.

